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Pesquisa aponta contaminação de produtos comercializados em feiras livres de Montes Claros

A conclusão é dos alunos do curso de Farmácia que analisaram amostras de queijo Minas e alface num projeto piloto

Queijo Minas e alface comercializados em feiras livres de Montes Claros contêm grande presença de bactérias. Essa é a conclusão da pesquisa dos acadêmicos do 9º período do Curso de Farmácia das Faculdades Santo Agostinho, realizada no último semestre. Os estudantes coletaram material em 10% das bancas das feiras livres dos Bairros São José, Santo Antônio e Major Prates, além do Mercado Municipal, escolhidas aleatoriamente.

Depois de acondicionadas em recipiente higienizado e sob refrigeração, as amostras seguiram para o laboratório de microbiologia do Campus JK. A professora Mônica Durães, da disciplina de Análise Ambiental, explica os detalhes do experimento: “A fim de se obter uma representação de cada feira, as amostras foram misturadas. Em seguida, foi realizada análise de coliformes totais e E. Coli pelo método de tubos múltiplos, utilizando o caldo Rapid coliforms. Após o período de incubação por 24 horas, foram encontrados os resultados positivos para coliformes totais e E. Coli em todas as amostras analisadas”, resumiu.

A proposta do estudo foi analisar as formas corretas de assepsia ao longo da cadeia produtiva tanto do alface quanto do queijo Minas. Segundo o coordenador do curso de Farmácia, Professor Flávio Figueiredo, a conclusão de que este manuseio é feito de maneira inadequada não é surpresa. “A questão envolve muito o apontar a lacuna. Esta foi a contribuição da pesquisa. Os alunos mostraram para a comunidade que existem problemas na comercialização dos produtos, considerando a contaminação. Este é o dado mais interessante, uma vez que, por meio de publicações futuras, caberá à comunidade científica e às autoridades sanitárias locais desenvolverem estratégias para contornar este problema”, comentou.

Os resultados estão diretamente relacionados a diversos fatores envolvidos no comércio e venda de hortaliças, desde a produção, acondicionamento, transporte e exposição durante a comercialização. Segundo os estudos, a presença dessas bactérias é de grande representatividade de riscos. A meta é seguir as pesquisas, aumentando o número de amostras para realizar novas análises.

Conforme o Professor Flávio, a saída é trabalhar a questão junto aos produtores e feirantes. “Nosso objetivo é fazer parcerias tanto com o setor público quanto com os vendedores, de modo a desenvolver estratégias que possam contribuir neste sentido, pensando em que medidas podem ser tomadas para reduzir a contaminação destes alimentos. A gente acredita que isso passa pela formação desses produtores”, concluiu.

Na prática

A pesquisa faz parte de um projeto multidisciplinar semestral. Os resultados obtidos são dos acadêmicos, já que os estudos foram realizados por eles.  Para Figueiredo, este tipo de atividade é muito importante para a formação profissional. “Colocar o aluno em contato com os problemas que ele vai encontrar no mercado de trabalho como profissional, torna a formação experimentativa. Isso leva a um profissional bem formado”, disse.

Laboratório

Alunos do curso de Farmácia durante os estudos nos laboratórios do Campus JK

Fotos: arquivo